Falar sobre relacionamentos é sempre, complicado.
Principalmente quando você já não acredita nos mesmos. Depois de um bom tempo, dependendo de como foi a sua vida amorosa, você acaba se modificando para não sofrer e/ou sobreviver a essa verdadeira guerra, que mata mais do que chuva forte em São Paulo.
Poderia fazer uma lista dos relacionamentos que não deram certo, mas acho que seria uma verdadeira perca de tempo. Talvez fosse mais interessante compartilha-los com vocês, nobres colegas. Principalmente pelo fato de que isso se tornaria uma confissão/gravação do que eu pretendo não fazer mais.
Primeiro o meu estado de espirito não é um dos melhores. Nos ultimos meses, acabei magoando mais do que o normal, o que provavelmente foi graças a minha tentativa de não se envolver com as pessoas, mais do que deveria.
Sempre existem pessoas que chamam a nossa atenção, por mais simples que sejam elas acabam marcando os nossos dias. Posso dizer que um pingente lilás no formato de um gato, com algumas pedras de Strass encrustadas nele me guiava todos os dias.
Eu sempre tive a péssima mania de ficar encostado a porta da sala de aula, observando os alunos passarem enquanto o professor não chegava. Foi assim do meu primeiro, até o último ano do Ensino Médio. O mais interessante era que agora, sendo do terceiro ano e estudando na primeira classe do corredor, era eu quem tomava a posição de coordenador das coisas. Assim como os veteranos faziam conosco nos outros anos.
Estavamos a comentar sobre as alunas novas, por um momento eu fiquei em silêncio. Apenas observei o acessório balançando no pescoço daquela bela morena. Fiquei encantado com toda aquela beleza. Como sempre, eu fui o único a perceber o que acontecia, já que o restante apenas ria das piadas nerds que costumavamos contar.
Foi a primeira vez que eu percebi que existia uma presença de tal magnitude. Eu na época tinha alguns colegas do primeiro ano, que conversavam com ela. Fazia o máximo possivel para tentar falar com a mesma, mas parecia que ela só descia para o pátio para dar um Olá e logo depois voltar para a sala de aula.
Foram dois meses de luta até que por sua vez, graças a uma outra amiga eu comecei a falar com a garota do pingente. Foi uma semana de “reconhecimento” e papo inutil e idiota. A Páscoa chegou e fui viajar,levei o laptop e a internet – que não era banda larga – comigo. Os três dias em que eu fiquei sem fazer absolutamente nada, foi dedicado a conversar com a garota dos “Huns”, “lalalalas” e small talks da vida.
Voltei e a enchi de presentes, na verdade, chocolates. Posso dizer que foi uma das épocas mais intensas que eu havia vivido, tinha me entregado por completo pelos cabelos castanho, sorriso sincero e péssima pronuncia no inglês.
Depois de tudo isso, depois de praticamente ter doado parte da minha vida a ela, acabei sendo puxado para um canto vazio da escola com um “Nícolas, preciso falar com você!”. Pela maneira como ela me olhava, boa coisa não viria.
- Fale
- Você sabe que eu não sou muito boa com as palavras, dificilmente consigo me expressar direito.
- Já disse, fale.
- Não dá mais, eu não gosto de você como você gosta de mim.
- Eu não ligo! É…É só deixar eu ficar com você, que já está ótimo pra mim.
- Não dá.
E foi assim que eu vi o meu mundo ruir, pela primeira vez naqueles próximos seis meses. Em um momento péssimo eu acabei entrando, foi desse jeito que a minha playlist no lastfm ficou tão gigantesca com Fresno (http://www.lastfm.com.br/user/Mr_Modesto).
Foi a partir daquele momento que eu percebi que não iria conseguir muita coisa com ela. Além dos beijos escondidos por entre as ruas vazias do seu bairro. E algumas maiores desilusões com uma garota carente.
Ainda estava a remoer a ideia da solidão na cabeça, durante a pequena viagem até Campinas para fazer algumas compras no shopping Iguatemi. Estava no carro enquanto voltava para Pira, quando recebi uma mensagem.
“Preciso de Você, Sinto a tua FALTA“
Depois daquela mensagem eu tinha certeza de que poderia voltar com ela, ou não, e estava completamente eufórico com aquilo. Respondi com um simples “Sério?” e recebi em troca um, “Saudades dos teus abraços”.
A semana seguinte foi de uma fossa pior ainda.No final, foi tudo carência momentanea e nada mais. É nesses momentos que nós temos vontades de desaparecer, dar um fim nas coisas, tentar entender o porque daquilo tudo.
A única coisa que nós podemos retirar de todos esses relacionamentos desastrosos, são lições básicas para que nada disso aconteça novamente. Respirar fundo e entender que o mundo não é um conto de fadas, muito menos um mar de rosas. Que todas as pessoas vão te amar da maneira como você as ama, que todas elas estão preparadas para algo maior, se elas QUEREM algo maior.
Amor vem de convivência, paixão é momentanea e na maioria das vezes ela é apenas combustivel para algo possivelmente maior. Você dificilmente irá passar a namorar uma pessoa que você conhece a pouco tempo. Grandes relacionamentos vem de pessoas que você já conhecia, ou mesmo, passou um bom tempo conhecendo. Uma velha amiga, um vizinho ou até mesmo um ficante de mais de mês.
As vezes eu me pergunto, se eu realmente vou encontrar a minha Anja, sem asas e um coração que consegue derreter o meu. Se é que o próprio Jack Johnson encontrou.
Mas a batalha é ardua, hoje eu já estou mais imune a garotas carentes e amorosas. Hoje eu vejo meus amigos solteiros. Hoje eu percebo, que não tenho idade nem cabeça para relacionamentos.

O Gatinho lilás com stráss.