Hoje, quer dizer ontem, estava jantando com o meu pai na cozinha. Assistiamos o Jornal Nacional, eu na verdade enquanto ele checava alguns imoveis no laptop, falaram sobre a isenção do IPI para alguns produtos – de construção – e a continuação da redução nos automóveis. A queda da aprovação do governo Lula e do nosso ilustrissimo Presidente. Ai eu paro e penso um pouco caralho como eu odeio o brasileiro, não como um total, mas sim como um ignorante politico. Brasileiro nunca entendeu de politica, mas sempre tentou discutir. Eu sou brasileiro, e tambem nunca tive uma educação politica como vários outros paises tem. Aqui o garoto aprende primeiro a como bater um penalti, depois vai saber como que escreve o próprio nome e por fim, um dia quem sabe, a votar.
Sabe apertar aqueles numerozinhos e então “Confirma“, é só ter certeza que o engravatado que esta ali, presente naquela foto 5×7 preta e branca, é mais um que irá usurpar o seu suadissimo e o não execrado dinheirinho.
Até hoje me lembro de uma passagem mais do que interessante, eu deveria ter lá os meus treze anos, estava no Duplo Bom – um pequeno mercado de bairro lá no Irajá em São Bernardo do Campo – e um senhor, conhecido já pelas garotas da padaria. O mesmo reclamava que as pessoas não o respeitava como pessoa de idade, que o pais estava uma merda. Eu estava a frente do senhor de idade, já havia esperado por mais de seis minutos para ser atendido, lá próximo as 18h sempre ficava bem mais cheio, e o mesmo tentou passar a minha frente forçadamente. Eu praguejei baixo e os cabelos grisalhos e ralos viraram em minha direção.
- O garotinho, deveria ter mais respeito com os mais velhos! Vocês andam tão sem educação! Não acredito que o futuro do nosso pais está na mão de vocês.
Balancei a cabeça negativamente, completamente estressado e já criando um certo ódio daquele aposentado a minha frente.
- Se vocês não tivessem cagado durante as votações e durante o periodo militar, não estariamos na situação que estamos.
Provavelmente, acho que foi um dos momentos mais Chê Guevara que eu tivera em minha vida, já que depois as atendentes ficaram todas felizes por que alguém finalmente tinha falado algo para o velho ranzinza.
Hoje eu percebo que exite uma tentativa de passar a culpa para quem vem chegando. Como é que eles podem dizer “A salvação esta nos Jovens, eles vão mudar o mundo”, sendo que nós nem sabemos o que esta acontecendo! Alguém lá com os seus dezesseis anos de idade, malemá sabe passar de ano direito na escola, vai ter capacidade de escolher o futuro presidente do pais?
E se ele realmente tem alguma capacidade para discernir quem deverá receber o seu voto, ele realmente vai ter algun background para dizer-lhe quem é que realmente vai ajudar a socidade? Mesmo que o vereador que ele votou sirva como asfalto para a rua onde ele mora, o prefeito vire uma ponte, o governador um grande cheque e o Presidente uma infinita quantidade de empregos, será alguma coisa.
Politica é algo incisivo para qualquer coisa, já que ela sempre vai ser necessária para a evolução humana. Primeiro começamos com modelo de República com os Gregos, depois vieram as Monarquias, Parlamentarismo, Presidencialismo. E se os colonos nascidos nos Estados Unidos não tivessem noções politicas, eles nunca iriam beber chá com os Ingleses em Boston. Se não fosse pelo entendimento politico de Oliver Cromwell ele nunca iria derrubar a cabeça de Carlos I dos ombros Monarquicos. Se não fosse pela empolgação de Marx provavelmente Lenin não teria socado a mão no Exercito Branco e dominado o governo provisório. Se não fosse pelos conhecimentos politicos de Che, ele dificilmente teria conduzido aquela moto a tantos zilhões de quilometros para invadir a ilha americana. Se não fosse pela politica – e um pouco de diplomacia – nós teriamos entrado na terceira guerra mundial, graças aos Misseis dos amigos do Che.
Enfim, existe uma necessidade implicita de que o brasileiro precisa aprender politica. Ou ao menos parar de fingir que tem e dizer amem a Globo.

Que tal ser o Obama, por um tempo?
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